Ah! Aquele dia... sim, sim, esse mesmo. A história é a mesma de trocentos casais, só muda cenário, tempo e personagens.
Nós dois nos encontramos, demos um último beijo ( o que é esquisito, porque ele só é último beijo se mais nenhum acontecer , ao contrário, ele não terá sido o último e todo o pensamento sobre o momento desaba)...enfim....nos olhamos, você, foi para lá e eu, para cá.
Ainda que eu quisesse virar e voltar, desci cada degrau daquela escada, numa velocidade muito mais lenta do que a normal, sim, eu queria ter dar o maior tempo possível pra pensar. Para, literal e figurativamente, você voltar atrás. Besteira, a escada podia ter 776854346 degraus ou eu poderia levar um ano para descer cada um deles, isso não mudaria nada.
Aí, eu sento pra esperar você, digo, o ônibus. É, fingi que não vi alguns que me serviam passarem, ignorei uns outros. Depois de um tempo...
Gravando, ação;
Você desce as escadas ofegante, o andar antagônico ao meu, tudo que eu procrastinei, você acelera. Corre. Voa. Abre espaço no meio da multidão. Me vê lá, esperando sentada. Mas não em vão. Porqu e você vem em direção à mim, cada vez mais rápido, confessa que ainda me ama, que sabe que podemos dar certo, que vamos fazer funcionar já que nos amamos. Nos beijamos ali, no meio daquela gente toda.
Ei, pra onde eu tava indo mesmo?
Indo sem você?
Nem me lembro mais. Agora, eu vou é para qualquer lugar contigo.
Indo sem você?
Nem me lembro mais. Agora, eu vou é para qualquer lugar contigo.
Corta!
Sim, obviamente, isso tudo só aconteceu na minha imaginação enquanto eu estava lá, sentada esperando.
Você não veio. Na verdade, eu vi que você nem olhou pra trás. Chegou em casa, tirou o sapato, abriu a geladeira. Ligou sua TV, ligou o seu PC e seguiu sua vidinha como se nada tivesse acontecido. Como se o seu mundo pudesse voltar a ser o mesmo de quando não me conhecia.
E eu. Segui indo. Meio arrastada pela multidão. Depois de muito esperar, peguei um menos cheio e com jeito de confortável. Parecia seguir uma boa linha esse rapaz ônibus que peguei depois de aguardar você em vão.
E agora, você continua onde sempre esteve. Com ou sem mim. E eu, sigo com meu ônibus para lugares que você nunca irá e ...oh!...NEM PENSE EM PEDIR CARONA !

Muito bom o texto!
ResponderExcluirA vida pode passar como uma bicicleta, moto, carro, trator ou avião, o problema é quando entramos no meio de locomoção errado, nesse meio tempo antes de pegar outra condução é preciso ter cuidado para não ser atropelado.
"NEM PENSE EM PEDIR CARONA!" excelente ponto final para a história com o carinha. Quem sabe né? Pelo teor do texto não posso afirmar com tanta certeza que isso é um ponto final.
Adorei!
ResponderExcluirAgora não conseguir não me imaginar descendo as escadas e... tropeçando/caindo. Tãao minha cara. ihihi