quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Efeito borboleta


Sabe aquela famosa frase " nada está tão bom que não possa melhorar" (acho que não é assim, mas tudo bem)? Balela! Quem quer que seja a pessoa que falou isso, ela só estava tentando te iludir, alimentar suas esperanças e tirar proveito da sua ingenuidade polianística.
Acredite, se as coisas mais inacreditáveis estão acontecendo na sua vida e você está radiando de tanta felicidade... Baixa a bola. Murphy não vai sossegar enquanto não jogar uma merdinha no ventilador.
 Pra quê tanto pessimismo e negatividade?
Simples e puro prazer de reclamar da vida. Minha mãe adora dizer " seu problema é que você não está satisfeita com nada que você tem.". O problema é que o que eu tenho, não é o que eu quero.
Ahaaam, e mais uma vez eu entro no papinho da garota mimada.
 Enfim, vamos inverter papéis aqui. A partir de agora vocês são a mimadinha, no caso, Eu.
Para vocês que não sabem quem são ainda: uma garota de 21 anos, insatisfeita com a faculdade, extremamente crítica, implicante, temperamental e estragada no quesito amor. Sabe aquelas pessoas que, num relacionamento, quando tudo vai bem, potencial imenso de dar certo, ela simplesmente inventa algum problema? Cria algum caso, enjoa da pessoa,, ou faz com que tudo dê errado?

Voilá, vocês são assim a partir de agora.

Eis que vocês encontram um Mr. Right, alguém que mesmo tentando, com toda sua neurose,você não consegue achar nada que te irrite: ele não é grudento, ele liga quando fala que vai ligar, te dá espaço, se veste bem...
Não há nada que te faça querer dar um tchau para aquela pessoa. Pra você tudo na relação está perfeito, não há nada que te faça querer "fugir".
No entanto, o que te faz não querer buscar pontos negativos no Mr. Right é o simples fato que o relaciomento tem todo o potencial de não dar certo por conta própria, totalmente sem futuro. Mr Right mora há 1000 milhas de distância, em outro continente. Depois de 2 meses maravilhosos juntos, os dois têm que voltar para seus respectivos países e sem nenhuma alteração no status do facebook (single it is.) Claro que os dois mantêm contato, se falam todo dia, saudades aumentam. Ele está todo apaixonado, você também. Finalmente ele resolve vir te visitar.

A segunda noitícia maravilhosa vem um pouco depois: seu estágio de férias que você taaanto almejava saiu, você foi aprovada, só precisam estabelecer a data.
Sim, nessas férias vocês serão pessoas realizadas, tanto amorosa, como profissionalmente. É tanta empolgação que vocês nem pensam no probleminha que acabou de surgir.

Depois que os planos estão todos feitos, as viagens todas programadas, todos notificados. Você recebe uma a notícia inoportuna: seu estágio de férias, confirmado e com data estabelecida: a mesma que você tinha programado tudo. Pois é, agora, esquece: férias, viagens, praias, festas, tudo!  Vai ficar o verão trabalhando, morrendo de calor e com um gringo entediado em casa.


Se depois da tempestade, vem a bonança, começo a achar que, depois da bonança, também, sempre vem a tempestade ( o que é muito mais fácil que admitir minha burrice.)

6 comentários:

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  5. "Se depois da tempestade, vem a bonança, começo a achar que, depois da bonança, também, sempre vem a tempestade".

    Ciclozinho chato esse, não? É claro que, se você pudesse escolher, eliminaria a parte das tempestades e ficaria só com o amor ensolarado do Mr. Right, todos os dias. De segunda a segunda, em dias úteis, feriados e pontos-facultativos.

    Isso porque você não vai tomar aquelas pílulas de clichê que dizem: "Ah, mas quando vocês se encontram é só felicidade", "Pelo menos vocês não enjoam um do outro" "O bom é que vocês nem tem tempo pra brigar", etc.

    Não, você não vai. São só frases padronizadas oferecidas por pessoas que não estão na sua pele. Mesmo que você dê um sorrisinho a elas você sabe que essas pessoas são meras espectadoras da sua angústia, incapazes de entender a complexidade do seu problema...

    Você não pode ligar pra ele em plena quarta-feira pra pegar um cinema, tampouco esperar que ele surja do nada na sua casa em um fim de tarde com uma guloseima conveniente.

    Você tem que se contentar com as doses esporádicas de contato físico dele e manter uma relação de ódio com o relógio e o calendário. E é aí que você percebe que arrumou briga com o mais implacável dos inimigos: o tempo.

    É ele que vai multiplicar as horas da sua semana, vai potencializar o sofrimento das brigas e te dar a sensação de que a distância que separa vocês dois é ainda mais infinita. E aí, quando chega o momento de vocês ficarem juntos e você resolve pedir uma trégua para o tempo, você descobre que além de tudo ele é extremamente vingativo.

    "Ei, corre mais devagar nesse feriado?"

    Mas ele não vai te atender. Ele vai lembrar do quanto você xingou ele durante as tempestades e, ressentido que é, vai fazer o feriado passar tão rápido quanto um único fim de tarde. Daí você se dana a reclamar dele de novo, elegendo-o como culpado e negligenciando o fato de que o tamanho dele sempre foi e sempre vai ser inversamente proporcional à sua felicidade.

    Sua contagem regressiva recomeça, você até tenta aliviar a cabeça num programa com as amigas, mas aí se depara com um engraçadinho que, quando ouve que você é comprometida e toma o fora, pergunta se você sabe o que seu namorado está fazendo naquele momento e põe a fidelidade dele à prova. Clássica.

    Nesse momento, por mais que você ria da técnica de convencimento ultrapassada desse engraçadinho, aquela perguntinha te causou um desconforto. Você resolve ligar pra ele só pra dar uma conferida, mas dá de cara com a caixa postal, fora de área de cobertura, greve de telefonistas, etc...

    Pois é, o seu celular e o messenger passam a ser seus únicos aliados pra curar sua insegurança e sanar desconfianças. Mas aí qualquer queda de sinal, internet lenta ou outra inconveniência tecnológica se transforma numa tragédia grega.

    Foi vivenciando tudo isso que você comprovou que aquelas pílulas de conforto clichê oferecidas pelos seus amigos são tão eficazes quanto uma pílula de farinha. Vai vir o choro, a raiva, a lamúria, a inveja do porteiro que pode vê-lo todo dia... Mas é aí que você tem que segurar as lágrimas.

    Não só porque ele não vai estar ali para enxugá-las, mas porque está na hora de você perceber os tantos outros motivos que podem te fazer sorrir.

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  6. Agora que eu começo a falar da tal bonança. Percebeu o quanto eu demorei falando da tempestade? É porque a gente tem o péssimo costume de ficar muito tempo olhando pra ela e acabamos nos esquecendo de contemplar a luz do sol que está ali atrás tentando irromper.

    Presta atenção. Você foi contemplada com uma pessoa da qual você não tem a menor pretensão de fugir. Pelo contrário, ela é a sua fuga, seu refúgio e proteção. Você gosta do espaço que ela te dá e ainda assim adora quando ela te aprisiona num abraço. Você vê virtudes até nos defeitos dela e, como você mesma disse, não tem a mínima vontade de dar "tchau" pra ela.

    Pois é, agora pensa que você conseguiu encontrá-la no meio de aproximadamente 6,5 bilhões de pessoas espalhadas em 510,3 milhões km². Em termos geográficos, vocês teriam de estar separados por muitas outras milhas pra que existisse uma distância minimamente razoável entre vocês. Deu pra se achar um pouco mais sortuda agora, não é?

    Ok, tudo bem que você até poderia tê-lo achado mais perto, a menos quilômetros de distância. Mas lembre que enquanto a maioria das pessoas está por aí perdida numa eterna e inconsciente busca pra se achar em outro alguém, você já achou. Nesse mar de gente, vocês se encontraram um no outro. O acaso ou a providência fez com que vocês se cruzassem ali, naquela mesma dimensão, espaço e fuso horário.

    Por mais interessante que pudesse ser encontrá-lo na sua esquina, não dá pra voltar no tempo e mudar só aquele eventozinho indesejado sem que todo o resto seja alterado. É o tal efeito borboleta a que você se referiu no título do post. Vocês bem poderiam ter se conhecido na mesma cidade, no mesmo bairro ou no mesmo condomínio, mas será que o universo conspiraria a favor de vocês dois com a mesma força?

    O fato é que você o encontrou ali, depois daquele oceano, a milhares de estações de metrô e dezenas de pontes-aéreas de distância. E essa foi a única inconveniência. Tirando esse detalhe, todo o resto ajudou vocês dois. As pupilas dilatadas, os gostos, a paixão, o tesão, o encaixe das mãos, compatibilidade de horóscopos e tudo mais.

    Essa mistura toda foi pro liquidificador e resultou no cara que pode ser "O" cara da sua vida. Quando ele se vai, talvez o dia fique mais cinza, mas quando ele chega, o mundo se enche de cores e revela aqueles poucos momentos de plena e pura felicidade que vão habitar pra sempre as suas memórias.

    No dia seguinte, talvez você olhe pro vazio da sua cama e sinta a tempestade se aprochegar. Mas não fosse por ela, a bonança não teria o mesmo sabor. Você vai enfrentá-la mas ao menos com a certeza de que o desfrute do próximo nascer do sol será ainda maior. Sempre é.

    Aí que você passa a se dar conta do quanto é afortunada. 21 anos. Recém-saída da infância. Procurou tão pouco e no meio dessa multidão já achou em uma única pessoa tudo o que jamais esteve perto de achar em tantas outras.

    Essa é a hora em que você vai lembrar do espaço que separa vocês e achá-lo ridiculamente pequeno diante da sua sorte ou destino. Então vai fechar os olhos e agradecer ao acaso, a providência, ou o que quer que seja.

    Vai sorrir, mesmo de longe.

    Finalmente vai trocar a lamentação pela esperança de que um dia a distância vai sumir de vez e vocês farão as pazes com o tempo, enfim abraçados num encontro sem prazo, necessidade ou vontade de acabar...

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