segunda-feira, 2 de abril de 2012

O desmoronamento!


Eu queria falar um negócio pra vocês. Mas prestem atenção, porque eu não falo duas vezes. Essa é uma mensagem para quem tá assim, sem rumo, sem jeito, ou sem nada pra fazer, também. Porque não ter nada pra fazer pode tanto significar que você esqueceu todas as coisas a serem feitas e simplesmente resolveu não fazer nada (delícia de procrastinação!), ou que há tantas possibilidades a serem percorridas do zero que você, na dúvida, fica sentada procurando um motivo pra seguir o caminho A ou B. WTF?!, vocês pensam. Eu sei. Relevem a doideira existencial do assunto, estou no último período da faculdade e o desespero acorda comigo todo dia de manhã e só me deixa dormir se eu tiver dado um pouco de atenção pra ele durante o dia! Tipo um gatinho mimado.

Todo mundo já passou por essa fase, tenho certeza. Pode ser no trabalho, nos estudos, no amor... É normal, e no final até renova o espírito, faz bem pra fechar um ciclo e iniciar o próximo. Tem gente que parece que gosta do dilema, que persegue essa satisfação, essa plenitude, a vida toda, e no fim dela continua procurando algo pra se completar. E isso é ótimo se bem dosado, porque dá significado a vida. É a busca literal pela felicidade.

A parte ruim começa quando, de uma hora pra outra e de uma vez só, esta indecisão e falta de rumo nos aparece em mais de um campo na vida. É decidir a vida profissional com a amorosa, é tentar resolver uma insatisfação com outra se formando ao mesmo tempo! Como faz? Aí complica. Porque geralmente a gente busca inconscientemente algum apoio nesses outros campos da vida para nos ajudar a enfrentar a insegurança em outro. Nos agarramos à estabilidade de um relacionamento para encarar o incerto, ou ao trabalho, por exemplo, para superar uma incerteza do coração. A família é exigida, os amigos são cobrados... Enfim, tudo se conecta para que possamos pensar melhor sobre aquilo que nos agustia. E isso pode dar certo? Dá sim, se estiver tudo muito bem resolvido nesses outros campos também. Senão, o tiro pode sair pela culatra. O que você julgava estável pode não estar tão bem das pernas assim.

Pense em uma construção com vários pilares. Um deles está mal construído, ou quebrou, ou não existe ainda, e você precisa fazer algo a respeito. Para resolver o problema, você apoia todo o peso da estrutura, ou seja, a sua vida, a sua felicidade, nos outros pilares (relacionamento, família, emprego), sobrecarregando-os a fim de manter a estabilidade para consertar o que não está bom. Isto funciona, a princípio. Mas imagine que, sem que você saiba, em outro pilar há uma rachadura, ou a base não está bem consolidada. Com este sobrepeso, uma pequena rachadura, imperceptível, pode piorar e criar um novo problema, aumentando a instabilidade que já existia ali. Resumindo, ao tornar o seu equilíbrio emocional dependente de áreas da sua vida também possivelmente instáveis, o problema só aumentará, mesmo que de forma gradual. Compliquei?

Enfim, o que eu quero dizer é: cultivar bem os universos que compõem a nossa vida é essencial para que se mantenha o equilíbrio. Antes que tudo desmorone nós devemos ser precavidos, cuidadosos, prestar atenção nas rachaduras, para que, aos poucos, as coisas voltem ao normal. É cilada na certa tentar se apoiar em algo que nós já sabemos não estar consolidado, é melhor ter um pilar bem enraizado e cuidado do que vários capengas, né? Porque aí, quando for inevitável apoiar nos outros para nos concentrarmos em reconstruir um dos pilares da vida, que eles estejam saudáveis, preparados para aguentar o tranco!

Gente, é isso! Cultive as amizades, se preocupe com a família, mantenha um relacionamento saudável e um trabalho organizado, agradável! Assim quando o problema chegar você saberá com quem contar e a quem recorrer!

Agora corre láaa pra puxar saco do chefe (orientador, no meu caso)! Abaixo a procrastinação total!